[os que seguem]

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Contradição temporal

Maldito seja o tempo e sua lentidão.
Bendito seja o tempo e sua exatidão.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os 5 minutos que faltam

São intermináveis. Ah, como são! Parecem não ter fim. As pernas não obedecem ao cérebro e ficam como duas britadeiras perfurando o chão. Os olhos no relógio são agoniados querendo que os ponteiros se apressem, mas eles nunca perdem o ritmo. Bailarinos de Bolshoi.

Sentir calor é

Quando o suor pinga do seu rosto e você o retira com as mãos e nesse meio você nem consegue pensar e nem respirar. Só que é bem mais que isso.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Do tempo e das horas e dos relógios

E como poderia as horas se repetirem? Era a pergunta que passava por sua mente. Duas vezes 12:12 num mesmo dia? Ora, o tempo voltou e zombou de mim? Era a pergunta que não calava nenhum segundo sequer. Era até então entendido que não se poderia viver dois tempos iguais num mesmo. Mas foi vivido. Mas, vejam, espere! Ah, tudo se resolveu e ficou claro. O relógio foi quem ficou doido e não o tempo que, mesmo não doido, sempre zomba da gente. A resposta é simples: o relógio estava atrasado em 1 hora e, por destino, os olhos quiseram ver a mesma hora com uma hora de atraso.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Seguimento

E a vazia estante que é humana, sólida, espera conteúdo. E na espera o ser encantado que é humano, clama por justiça. Que julga o inocente e o culpa. E o piano de oito teclas, com oito sons, de oito vozes, que gritam num silêncio profundo por algum resquício de liberdade. Que foge entre os dedos dos mais fortes guerreiros. Que lutam em vão por um pedaço de glória e reconhecimento. Reconhecidos por quem não dá a mínima. Reconhecimento vazio, de seres vazios, numa estante com pratilheiras empoeiradas de sonhos e liberdade que escorre por entre os dedos de guerreiros que envelhecem em um mundo paralelo ao mundo que é real. Que engole o fraco, exalta o rico e deixa morrer os velhos. Que dormem em camas frias, num quarto frio, com um vento frio e vozes frias. Que dizem aos seus filhos que o sonho é erro. Que o sonho vira pó. Que o pó vira poeira numa pratilheira velha de uma estante vazia. E vazia segue inexorável. E o tempo, o velho vilão de outrora, que a tudo consome, que a tudo cinza, vazio deixa na estante vazia. O velho vazio temporal congestiona e empilha os pensamentos azuis celestes e sonhos empoeirados numa velha estante com pratilheiras empoeiradas de sonhos velhos mortos como pele pelo tempo. Que agora, depois de tanto tempo, nem é tão forte. O tempo de tão velho e de tão entediado acaba por morrer. E o que não foi dito vira pó. E o que foi dito vira pó. E o pó inalado por novos vazios rostos com semblantes vazios é alimento para corpos vazios e novos. E o velho sonho pó é de novo respirado. E o tempo novamente volta ao seu labutar eterno e infinito. Mas agora o tempo é dele. O tempo dele. No tempo dele. E o sonho que era menos agora é mais e mais. E a estante que de tão velha se confundia com a poeira que a possuía, agora é cheia, mas com espaços vazios. Agora a justiça é luta. E a luta é suor. E o reconhecimento que antes era vazio é cheio. E o reconhecimento é dos seus e de si. E a liberdade é sentida, mas não alcançada. É sentimento e não mais vazio que corre. E o piano de oito sons, com oito vozes, que gritam em silêncio profundo, é um berro estridente de sentimentos. E agora o ser sente e vê e sente e sente e fala e fala, pois sente. E sabe. Agora o vazio é sabedoria. É sabido que é do vazio que se preenche e se torna o cheio. E o cheio é meta. E o caminho é o cada dia. E a cada dia o sentimento e a vontade de sentir são mais fortes. E da força de se sentir e querer sentir e querer ser mais sem sentido, mas ser mais, e dessa falsa liberdade livre que se pode segurar e desses todos sonhos e todas as vontades de sonhos realizados e tudo isso, tudo isso, é o amor que pulsa num corpo que vive e que grita: eu quero vida!

domingo, 13 de março de 2011

Ciros

Um Q de perdição

Um tanto de loucura

Pitada de querer nada fazer

E imaginação a gosto


Um grande livro

Livro do que não se deve fazer

Explicando sem querer

Como e quando ser


Vontade. Ah, vontade!

Passa vem e passa vem

Fica! Estagna! Impregna!

Vicia! Envolve! Alicia!


Saber o gosto que se tem

Sem provar sua essência a nos saudar

É um alívio sentir a prova estando aquém

É um gosto lamber a vida sem exitar.


(Feito com A.)

TMOVAS


Mesmo estando perto do seu coração

Não existe forma nenhuma de chegar até ele

Ficamos circulando em órbitas diferentes

Somos muito parecidos com o Sol e a Lua

Vagaremos enganando um ao outro
até chegarmos aos setenta anos

Ah, assim vamos dançando silenciosamente

Podemos esquecer a manhã que vai chegar

Estou transbordando com esse sentimento deslumbrante...

...que é só um pouco do brilho da sua noite!

A branca de névoa e os sete cigarros

Você: "Espelho, espelho meu. Existe alguém da cara lisa mais lisa que a minha?!"
Espelho: "Não minha senhora, não há! Porém, existe um rapaz latino americano sem dinheiro no bolso, vindo do interior, que tem a cara muito lisa, mas nada comparado a senhora!"
Você: "Óh, vida! Preciso me livrar desse rapaz. Não posso dar chance alguma! EMPREGADOSSS? Tragam-me o lenhador!"

to be continued...

sexta-feira, 4 de março de 2011

A casa parecia a imensidão de seu coração [Cap. XI] - Busca

Em pouco tempo chegam à outra margem. Coloca o caiaque num lugar escondido. Fita Mahina. Percebe que ela também o faz, e com o mapa na mão põe-se a procurar a tal entrada. Que não demora muito a ser encontrada.

Próximo a uma árvore, um pinheiro com um cheiro muito bom e fresco, está uma pequena entrada de mais ou menos um metro de altura por cinquenta centímetros de largura – dados não confiáveis, é o que se ouve – imaginando o que encontraria, ele prepara um pequeno kit com lanternas, pilhas, fósforos e um pequeno canivete.

O medo do desconhecido, somado à excitação dos contatos de outrora e a agonia em cumprir os horários para que seus pais não se preocupem os deixam em euforia. Normal, dado toda a aventura.

E sem mais demora, eles passam pelo pequeno portal. O desconhecido os toma. Agora tudo é dúvida. Tudo é medo. Mahina apoia-se no ombro dele como se ali fosse o lugar mais seguro do mundo. Ele se sente forte como nunca se sentiu antes, mesmo tendo só o medo em seu peito.

A casa parecia a imensidão de seu coração [Cap. X] - Encontro

No dia seguinte, na hora marcada, encontram-se. Ele com suas típicas camisas de algodão e ela de vestido florido. Então, certo como esperado, ambos em suas defesas conversam com palavras tímidas. Ele: “Como vai?” - um “como vai” que queria dizer que ele estava sentindo a falta dela e que queria que aquele dia fosse o melhor dia que jamais se viveria. Ela: “Estou bem sim. Mas acho que esse vestido não está legal para a ocasião!” - uma resposta que no fundo queria dizer que ela estava aflita para vê-lo e nervosíssima por vê-lo, e que queria que ele reparasse em seu vestido e a dissesse que estava linda.

Mahina sempre ansiosa por encontrá-lo acaba por revelar sua paixão, até em tão secreta, por gestos e palavras dela. Ele aceita como haveria de ser, mas discreto que é não deixa transparecer! Por que ele também sente e vê o que ela vê. Mas por hora era hora de aventura. O que há no tal lugar indicado pelo mapa? Um tesouro? O quê?

Partindo da choupana os dois se colocam a caminho das indicações mostradas no mapa. Não era nada complicado, porém era necessário atravessar o lago e subir nos rochedos até uma pequena entrada que eles não sabiam da existência, mas que no mapa estava bem claro.

Ele pega o maior caiaque, pois tinha que levar Mahina. A sensação de ter Mahina como carona em seu caiaque torna-se indescritível. Levemente os seios dela encostam-se a suas costas e isso o excita. Muito! E o faz corar. Ela percebe. E não recua. E nos movimentos fortes do seu braço, ele põe o caiaque em movimento, enquanto desfruta da sensação indescritível.